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Querida Curtis Sittenfeld,

Venho, por este meio, agradecer-lhe o texto que publicou na última página da edição internacional do New York Times do passado dia 4 de Agosto – “Don’t wait for a Muse. Just write the story” .

Na minha leitura errática dos jornais, salto da primeira para a última página (mesmo nestes tempos de pandemia em que a última do The New York Times Internacional raramente é, como era antes, dedicada a viagens) e naquele dia apanhei aquele seu artigo como se fosse escrito para mim.

Na verdade, como diz, o que eu preciso, se quiser escrever as narrativas, pequenas ou grandes, que desejo escrever, o que eu preciso é, realmente, de escrevê-las sem ficar à espera da musa inspiradora. Julgo que estou a traduzir bem o título do seu artigo – “Não espere pela musa. Limite-se a escrever a história”.

E os cinco passos que enumera para, num mês, completar uma primeira pequena história (short story) são também utilíssimos – definir horários e metas para a produção de cada dia de trabalho,  escolher o tema da história a escrever, escrever sem ceder a pretextos para não escrever, não iniciar as sessões de trabalho lendo o que já está escrito e, finalmente, quando a primeira versão ficar concluída, ler o trabalho e começar a equacionar questões como as da qualidade da escrita. 

Parece-me um bom plano. É seguramente um bom plano para mim que sou indisciplinado e distraio-me com muita facilidade. Tenho de reconhecer que a sua geração – a Curtis é da idade do meu filho mais velho – sabe o suficiente para ensinar, como os bons editores fazem, candidatos a pequenos e médios escritores como eu.

Não foi por acaso que a Curtis foi convidada a editar a antologia das melhores pequenas histórias americanas de 2020. 

Muitos parabéns e, mais uma vez, obrigado.

Júlio Roldão

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