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Cara Paula Rebelo,

Pela segunda vez desde que aqui escrevo, um destes meus postais vai para uma jornalista da RTP. Não é perseguição. É que quase por inércia, quando vejo televisão, sintonizo-me no canal 1 da RTP. E apanho, muitas vezes, o Portugal em Directo, o Preço Certo, o Telejornal e até uma ou outra reportagem como a da sua viagem a acompanhar Luís Marques, o português que “percorreu, de carro, mais de dois mil quilómetros, para pôr fim à vida, através de Suicídio Assistido na Suíça”.

Quando fui um dos jornalistas responsáveis pela editoria da Sociedade do Jornal de Notícias, há mais de vinte anos, esse tema da eutanásia chegou a estar agendado para ser desenvolvido num trabalho de fundo mas, por razões que não recordo, ficou por concluir e, obviamente, por publicar. Sei bem que é um tema difícil e reconheço que a Paula Rebelo o abordou com enorme sensibilidade. A sua reportagem “Até ao Fim”, com imagem de Pedro Miguel Gomes e edição de Marcelo Sá Carvalho, é um trabalho, muito oportuno, que dignifica o jornalismo português.

Repetindo o que disse a outra jornalista da RTP1, a propósito de uma outra reportagem que também me tocou, eu, jornalista ainda formado na velha escola da notícia, um daqueles que abandonou um curso superior para fazer jornalismo quando ainda não havia cursos superiores de jornalismo, eu fiquei quase invejado da sua reportagem. Uma reportagem que não desdenharia nada assinar, se dominasse a técnica de fazer jornalismo na televisão.

Este meu testemunho vale o que vale, mas ficaria de mal comigo se não o tornasse público. Principalmente neste tempo tão difícil para a nossa profissão. Neste tempo cheio de trabalhos jornalísticos que, julgo eu, nem sempre satisfazem quem os apresenta e nem sempre servem a vocação mais nobre do Jornalismo.

Obrigado por manter viva a chama que torna o Jornalismo uma profissão difícil mas apaixonante.

Fraternalmente,

Júlio Roldão

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