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Caro Júlio Isidro,

Não sou a primeira nem serei a última pessoa a assumir grande admiração por si. O Júlio Isidro é, reconheçamos, uma das mais consensuais celebridades portugueses. Tão consensual que deve ser difícil encontrar alguém que não goste de si.

E isto é de tal maneira evidente e verdadeiro que até aquela ideia batida segundo a qual é de desconfiar de quem parece não ter inimigos, esta ideia não se aplica a si. O Júlio Isidro terá, seguramente, inimigos íntimos e de estimação mas eles têm vergonha de aparecer.

Talvez por sermos homónimos, eu lembro-me de si desde muito novo. De o ouvir na Rádio, quando eu era menino e o Júlio já era um profissional da comunicação. Não recordo em que estação ou em que programa o ouvia, mas lembro-me de sonhar poder, um dia, ser como o Júlio – famoso pelas melhores razões.

Eu sou quase nove anos mais novo do que o Júlio, uma diferença de idades que agora conta pouco como diferença mas que há cinquenta anos contava muito. Eu era ainda muito menino quando o Júlio começou a afirmar-se como um jovem profissional da Rádio e da Televisão e a ser, para mim, uma referência.

Ainda é. Ainda é uma referência para mim quando, por exemplo, aparece, como apareceu recentemente, a utilizar as redes sociais para defender o “combate contra o medo, a solidão, a ansiedade do hoje, e a angústia do amanhã”. Afinal, o Júlio é, hoje, bem mais jovem do que eu e não apenas por não ter uma barriga comparável à minha.

Por tudo isso, permiti-me enviar-lhe hoje um postal. Um postal ilustrado com um avião de papel, construído em meia página de jornal. Não é nada que se compare à sua colecção de aviões de brincar, mas também é um avião, embora não passe de uma pequena origamice pobre.

Um avião que voa. 

Inesperadamente mas com admiração,

Júlio Roldão

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