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Querido Avelino Tavares,

Há dias, cruzamo-nos num espaço da Internet e eu soube, com grande satisfação, que estás bem. Pessoalmente já não nos cruzamos desde o ano em que trouxeste ao Porto o Patxi Andión para um espectáculo integrado num congresso do Sindicato dos Professores do Norte. Se a memória não me falha foi no ano 2000.

Em 2000, há vinte anos. Faz lembrar a canção do Patxi “Veinte Aniversario”, canção que ele escreveu quando tinha apenas dezoito anos, como me disse na entrevista que me concedeu – uma entrevista recolhida no portuense Hotel Dom Henrique, bem perto do ainda edifício sede do Jornal de Notícias, o jornal onde foi publicada.

Nessa entrevista referi que já não te via há quase vinte anos, reconhecendo-te publicamente como grande referência musical, fundador e editor desse título com mais de meio século de harmonias que se chama Mundo da Canção. E continuamos a viver aqui, nesta cidade do Porto. Será que só nos encontramos e falamos de vinte em vinte anos?

«Posiblemente», diria o Patxi na rouquidão militante de uma voz única como a dele. Às vezes ouço-o – «canto à la madre que me parió» – num velho leitor de cd’s. Como lembraste na biografia que mandaste para os jornalistas, ele sempre soube dar protagonismo a prostitutas, a cães vadios, aos pobres, aos amargurados, aos amantes desenganados pelo tempo, aos idealistas desenganados pela vida e essa maneira de estar na vida e nas cantigas cala fundo na fauna a que pertencemos.

Meu querido Avelino, termino a citar uma frase do saudoso Patxi –  “só se pode viver em ruptura constante”. E termino assim, abruptamente, porque agora está tudo a fechar cedo…  «Nos pasarán la cuenta», lembras-te? Até breve ou, pelo menos, até 2040 para manter aquele ciclo dos vinte anos. Fica bem.

Um abraço do

Júlio Roldão

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