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Meu caro engenheiro

O postal desta segunda feira vai direitinho para si grande engenheiro do Euro 2016, grande  responsável pela nossa selecção portuguesa de futebol que, há cinco anos, em Paris, tornou-se campeã europeia da modalidade. Com aquele golo do Éder, a vingar a forçada substituição do Cristiano Ronaldo, vítima de uma violenta falta que o retirou da final nos primeiros minutos de jogo.

O mister Fernando Santos, como sói dizer-se em futebolês, continua ao leme do escalão maior da selecção portuguesa de futebol, selecção neste momento empenhada em conseguir um lugar na fase final do campeonato do mundo da modalidade a disputar no próximo ano no Qatar. Mas é, mister, uma caminhada difícil como se viu no sábado passado com o falso empate frente à selecção da Sérvia.

Segundo o mister disse, o árbitro do jogo, o holandês Danny Desmond Makkelie, chamou-o para lhe pedir desculpa pelo grosseiro erro cometido pela equipa de arbitragem que ele chefiou. Toda a gente viu que a bola entrou, menos ele e o juiz de linha que tinha obrigação de ver, mas o golo limpo que daria a vitória a Portugal não foi validado e o árbitro até mostrou cartão amarelo a Cristiano Ronaldo castigando os protestos mais do que naturais do jogador. Será que o árbitro também pediu desculpa por este amarelo?

Ele, polícia de profissão em Roterdão, segundo dados biográficos da Federação Internacional de Futebol, é apresentado como pertencendo à elite dos árbitros da FIFA e tem alguns recordes significativos de destaque como o facto de ter sido o árbitro que mais cartões amarelos mostrou num único jogo do campeonato holandês – treze. Se for assim a passar multas em Roterdão é seguramente um polícia de elite, um rosto de uma qualquer supremacia policial que assusta.

Anteontem, em Belgrado, chamou o mister para lhe pedir desculpa pelo erro grosseiro cometido.   Desculpe a minha impertinência. O árbitro holandês chamou-o para lhe pedir desculpa ou dirigiu-se ao balneário onde o mister se encontrava para, então, lhe pedir desculpas? São atitudes diferentes, mesmo que qualquer destas desculpas funcionem como uma espécie de spray tira nódoas de gordura em gravatas de seda.

Percebo que não queira responder, mas árbitros como o holandês que no sábado passado prejudicou a Selecção Nacional Portuguesa de Futebol ajudam a consolidar a ideia de que um jogo que penaliza o uso das mãos em oposição ao aclamado uso dos pés não devia merecer grande credibilidade  – Danny Desmond Makkelie também parece arbitrar com os pés, em consonância com as regras do futebol.

Sabemos que há muitos holandeses que odeiam os países do Sul da Europa e as respectivas populações. O mister lembra-se daquele ministro holandês, que chegou a presidente do Eurogrupo, para quem os países do Sul gastam tudo em mulheres e vinho? Jeroen Dijsselbloem.  Jeroen Dijsselbloem é o nome dele. Dá para escrever mas não dá para pronunciar. O agente da polícia e árbitro de futebol Danny Desmond Makkelie deve ser desta mesma ala dos países baixos.

Ironias à parte, o que, a meu ver, importa reter de situações como esta, é que o futebol, actividade tão importante que o presidente da FIFA chega a ser recebido em certos países quase com honras de estado, o futebol é, às vezes, um gigante com pés de barro. E é tão triste, mister, que muitos nossos contemporâneos só vivam momentos de prazer e alegria quando a equipa de futebol que apoiam ganha. O futebol não é o principal culpado disto, mas tudo isto é muito triste.

Como um golo sonegado a Portugal é pretexto para tanta conversa. O mister sabe que eu, jornalista de profissão, tenho esta tentação de fazer de qualquer texto um pretexto. Para me redimir, envio-lhe, a ilustrar este postal, um quadro que pintei no dia em que Portugal defrontou a Holanda no campeonato da Europa de 2004. É muito naif na pior concepção da palavra. É uma das minhas primeiras manifestações plásticas da minha segunda vaga pelas andanças do acrílico e da aguarela.

Nesse dia 30 de Junho de 2004, Portugal venceu a Holanda no Estádio José Alvalade por 2 a 1. Ainda jogava o Figo mas também já jogava o Cristiano Ronaldo que, aliás, marcou o primeiro golo de Portugal. Escrevi o nome dos jogadores neste quadro que hoje lhe envio como postal. E pronto, meu caro engenheiro. Vou torcer para que amanhã, frente ao Luxemburgo, não apareça um árbitro do calibre do Danny Desmond Makkelie e para que o resultado final seja, no mínimo, igual ao do Portugal vs Holanda de 2004.

Menos ais, menos ais, menos ais, como se cantava há 17 anos.

Inesperadamente

Júlio Roldão

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