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Caro dr. Santana Lopes

Quem, como eu, viveu tantos anos em Coimbra, naquela doce vida da boémia coimbrã, tem uma particular simpatia pela Figueira da Foz, município a que vossa excelência regressa, algo inesperadamente ou nem por isso, como presidente da câmara independente. A Figueira é quase sempre uma terra de boas recordações.

Antes que fique surpreendido pela recepção desta inesperada correspondência, devo dizer-lhe que às segundas feiras envio, em sinal aberto, um postal ilustrado a alguém que mereça recebê-lo, seja pela positiva seja pela negativa. O tempo o dirá, embora a sua eleição possa dizer já bastante, pelo menos nas interpretações dos nossos comentadores políticos. 

Hoje, nesta segunda-feira de ressaca eleitoral das autárquicas de ontem, faz sentido que o destinatário seja um dos novos presidentes de câmara. Como não me imagino a mandar um a Carlos Moedas (o engenheiro que trocou a Gulbenkian pela Câmara Municipal de Lisboa para glória do dr. Rui Rio e desilusão do dr. António Costa), decidi transformá-lo a si, caro dr. Santana Lopes, em destinatário do postal do dia.

Escolhi um postal, de puros traços artesanais, que sugere o longo areal da Praia da Claridade, devidamente atapetado por relva artificial, onde é visível, sentada a olhar o horizonte, uma veraneante a quem, em tempos idos, muitos, com malícia desmedida, classificariam, de santanete – o nome que davam às suas antigas e supostas assessoras informais. As flores (de pano, não naturais) formam uma espécie de ramalhete que fica sempre bem nestas ocasiões.

O senhor sabe escolher. A Figueira da Foz é um dos municípios portugueses com grandes tradições culturais. Tem dezenas de colectividades de instrução e recreio, muitas das quais já tiveram grupos de teatro de amadores com meritória actividade. A Figueira da Foz não é só o Casino, ali bem no centro do chamado “picadeiro”, uma espécie de zona pedonal figueirense identificada há muitos muitos anos, muito antes deste tempo das cidades amigas dos cidadãos que gostam de andar a pé.

Mas quem sou eu para vir aqui dizer-lhe o que é a Figueira da Foz, município onde o dr. Santana Lopes já foi presidente? E com benefícios mútuos, considerando que o senhor deu outra visibilidade a uma cidade outrora praia preferida de espanhóis e de outros aristocratas… Recuperando, espero, o ritmo da velha “Marcha do Vapor”, o “hino” da Figueira da Foz, com música de Manuel Dias Soares e letra de António Pereira Correia.

Inesperadamente

Júlio Roldão

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