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Caro Domingos de Andrade,

Fez este mês 15 anos que deixei a Redacção do Jornal de Notícias. Tinha 28 anos de casa e a idade que tu tens agora, à roda de meio século. Um ou dois dias depois de ter ido para o desemprego, dei por mim a dirigir-me de carro para o jornal como se ainda lá trabalhasse, mas só este ano reconheci esse meu ato como sendo amargo e pavloviano.

Como sabes, demorei quase dez anos a voltar a entrar, como visitante, no JN e só o fiz quando tu já eras diretor do jornal. Inconscientemente, precisei da tua proteção para conseguir voltar ao JN, uma proteção confortável e, em parte, devida — quando entraste para o jornal foste estagiar na secção que eu editava e já te ouvi dizer, em público, que não fui mau chefe. 

Memórias que talvez se justifiquem por passar, este mês (espero eu), a ser pensionista da Segurança Social, continuando a ter saudades do tempo dos jornais em papel, mesmo depois de lhes ter resistido 15 anos. 

O teu velho amigo,

Júlio Roldão

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