Celina Pereira: Cabo Verde perde uma grande referência cultural

Acscosta

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Celina Pereira, uma das mais relevantes vozes da música e cultura de Cabo Verde, faleceu em Lisboa, onde residia, vítima de doença, no mesmo dia em que, há nove anos, falecia outra grande referência: Cesária Évora.  

Sobrinha de Aristides Pereira, radiotelegrafista na Guiné durante o período colonial, e que foi o primeiro presidente de Cabo Verde, após a sua independência em 1975, Celina deixa um legado musical vasto e muito rico. Em 2003, fruto, justamente, da importância da sua carreira, o então presidente Jorge Sampaio condecorou-a pelo seu trabalho na área da cultura e educação do seu país. Em 2014 foi galardoado com o Prémio Carreira, na IV festival do Cabo Verde Music Awards.

“Força di Cretcheu” (“Força do meu amor”), editado em 1986, é o seu primeiro disco, embora já marcasse presença, desde finais da década de 1970, nos palcos e até tivesse um primeiro single a rodar nas rádios, em 1979. “Estória, Estória…do Tambor a Blimundo” (2004), “Harpejos e Gorjeios” (1998) e “Nós tradição” (1993) são títulos marcantes da sua carreira e rica discografia.

A embaixada de Cabo Verde, em Lisboa, publicou uma sentida nota de pesar e de homenagem a Celina Pereira, nas redes sociais:



E continua: “Celina Pereira seguramente perdurará na memória dos Cabo-verdesnos, mas também de muitos outros, portugueses e irmãos de língua oficial portuguesa, pela voz, estilo e intensidade que punha nas suas interpretações. Que descanse em paz! Cabo Verde é-lhe eternamente grato!” (Fonte: Facebook da Embaixada de Cabo Verde)

Além da sua reconhecida atividade na música, Celina Pereira era, ainda, uma ativista social e cultural incansável, sendo, de resto, uma das promotoras da candidatura da Morna a Património Imaterial da Humanidade.

Para o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde, Abraão Vicente, a figura de Celina Pereira encarnava não só o espírito da diáspora, “mas também da imigração cabo-verdiana e da sua eterna ligação com as raízes do país”.

Em declarações à Agência Lusa, o ministro destacou, ainda, a ligação “muito especial” da cantora com a ilha da Boa Vista, de onde era natural, ao mesmo tempo que realçou “a forma pedagógica pela sua entrega à causa cabo-verdiana, tanto como escritora, quer como amante da cultura total” do país.


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