Diário de uma exploração científica à Antártida

Créditos: José Xavier

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“O mundo precisa cada vez mais de jovens cientistas”. Foi esta a mensagem que Edward Osborne Wilson, conceituado biólogo, escritor e professor na Universidade de Harvard, proferiu aquando uma das suas TED Talks. Numa era em que a Humanidade é cada vez mais tecno-científica e o planeta enfrenta grandes problemas como as alterações climáticas, a poluição ou até mesmo o surgimento de novas doenças, Wilson defende que os jovens cientistas irão ter um dos papéis mais importantes e fundamentais num futuro próximo.

Ricardo Matias é um jovem investigador português e aspirante cientista polar em início de carreira, que se debate com o problema da poluição marinha e das alterações climáticas na Antártida. Em conjunto com outros países e em contribuição para vários programas científicos internacionais, Ricardo procura saber qual o verdadeiro impacto que os microplásticos (qualquer tipo de plástico de tamanho menor ou equiparável ao buraco de uma agulha) têm, de onde é que eles vêm e como é que eles estão a afetar o ecossistema marinho da Antártida. Este é o relato da sua primeira viagem científica, aqui apresentado sob a forma de Diário, dividido em duas partes, para que o leitor desfrute tranquilamente da longa viagem que a seguir se relata. Na próxima segunda-feira, 8 de junho, publicaremos a segunda e última parte desta crónica que nos vai levar até à Antártida.

5 de Novembro 2019

“A noite já ia longa e o sono não parecia querer instalar-se. O silêncio é então interrompido pelo som estridente do alarme, trazendo a mensagem: “são 5h00, acorda pah”. Rapidamente me levanto, inundado com um misto de entusiasmo e de perceção da realidade. Chegou a hora de dizer adeus à minha cadela. Chegou a hora de dizer adeus ao conforto do lar.”


Foi assim, de madrugada bastante chuvosa em jeito de preparação para o clima britânico, que começou o primeiro dia da viagem que marcaria para sempre a sua vida. Cientista polar a dar os seus primeiros passos, Ricardo Matias partiu em companhia do já veterano nestas andanças, José Xavier. Aqui iriam passar a sua próxima semana a ultimar preparativos no Instituto Britânico, British Antarctic Survey, para uma expedição científica à Antártida.

Início da viagem de Ricardo Matias e José Xavier no aeroporto de Lisboa
Fotografia: Ricardo Matias

6-12 de Novembro 2019

Ao contrário do que se faz sentir em Portugal, os habitantes do Reino Unido têm que ter as suas casas bem adaptadas ao frio. Cambridge não era exceção. Localização do insituto, esta foi a cidade onde Ricardo e José Xavier iriam passar os próximos dias em trabalho mas, também, com tempo para visitar alguns pontos mais turísticos e gastronómicos. Logo nos primeiros dias, o jovem cientista descobriu à força, ou por simples distração sua, uma nova realidade a que se teria de habituar.

“Adormeci, o alarme não tocara. Já passava da hora quando reparei que o meu telemóvel tinha ficado sem bateria, apesar de ter ficado a carregar durante toda a noite. As tomadas de parede no Reino Unido têm interruptor on/off e claramente não reparei.”


Ricardo Matias não perdeu tempo e meteu-se a caminho do instituto onde à chegada teve a oportunidade de encontrar o seu colega de trabalho e amigo José Abreu. Muito do trabalho de Ricardo nos últimos três anos passou pela análise de bicos de espécies de polvo, vulgarmente conhecidos como a boca deste animal. Tal foi o seu espanto que, pela primeira vez, pôde vislumbrar os polvos inteiros.

Ricardo passa muito tempo ao computador a ler artigos científicos e a iniciar os seus também. Mas poder fazê-lo e depois ir à cantina do insituto almoçar, lado a lado, com os cientistas que cita nos seus trabalhos, dá logo outro gosto. Tanto eram longos os dias de trabalho, como as viagens até casa pelas ruas da cidade. O esforço era depois compensado ao virar da esquina com um bom frango de churrasco à moda portuguesa, no típico “Nando’s”. Nos dias seguintes, o clima continuou a não perdoar. O jovem cientista fiel aos seus pés, não quis arriscar e arranjar uns pedais. Foi a pé.

“Teria pedido uma bicicleta emprestada, mas a verdade é que não tenho coragem para enfrentar o trânsito matinal das ruas de Cambridge. Nem é pelos carros, é pela quantidade enorme de bicicletas que vemos de um lado para o outro.”


Ao chegar, viu que a equipa portuguesa polar estava quase completa. Os “Josés” já se encontravam à sua espera para mais um dia de trabalho. Só o seu nome é que desvirtuava na equação.

“José Xavier, José Abreu e José Queirós. Este último chegou durante a madrugada e veio para reuniões de doutoramento. Para completar o quarteto só faltou o José Seco!”


Como qualquer entusiasta e apaixonado de ciência, Ricardo não deixou escapar a oportunidade de visitar os famosos colleges, de entre os quais foram alunos Sir Isaac Newton, Charles Darwin ou Stephen Hawking. Mas, depois da visita ao departamento de zoologia da universidade, onde teve a oportunidade de ver exemplares taxidérmicos de pinguins, albatrozes e de algumas focas, a cereja no topo do bolo foi outra, o Whale Café. Perder-se na dimensão do esqueleto de uma baleia de barbas suspenso sobre a sua cabeça enquanto comia, foi uma experiência inesquecível.

Vista do esqueleto de baleia no Whale Café, localizado na Universidade de Cambridge
Fotografia: José Xavier

Os dias passaram a correr e a hora de partida para o Chile aproximou-se a passos galopantes. No dia anterior à nova viagem que lhe esperava, Ricardo preparou meticulosamente as suas malas, encaixando as peças de roupa como se de um puzzle se trata-se. Depois das suas aventuras em jeito de jogo de tetris, este despediu-se dos seus amigos. Como fãs de cerveja que são, a direção foi inevitalmente um pub.

É de manhã bem cedo. Ricardo tomou um duche e um pequeno-almoço rápido, e saiu a correr. Combinou com José Xavier para irem juntos até ao instituto. Foram os primeiros a chegar, tal era o seu entusiasmo.

“Deparo que somos os primeiros prontos para tal jornada. Eles estão bem habituados a fazer esta viagem e por isso, deixam tudo para as últimas! Aproveitamos o tempo para fazer os últimos trabalhos, e também algumas gravações para um pequeno documentário que pretendo fazer”.


A viagem foi longa e feita de noite, uma vez que o avião acompanhara a rotação da Terra.

“Durante a viagem não peguei olho, assisti a seis filmes que me ajudaram a não pensar na turbulência do avião, nem no facto de que estávamos a 30 000 pés acima do Oceano Atlântico.”


Tinham entrado no espaço aéreo do país mais comprido do mundo, o Chile. Antes da chegada à cidade portuária de Punta Arenas, onde tinham o barco à sua espera, o avião fez uma última escala na cidade de Santiago. Durante três horas, o jovem pode notar o choque cultural e uma paisagem de cortar a respiração.

“A poeira, a cor amarelada das cidades, as pessoas, todo o ambiente remete para filmes sobre a América Latina. Talvez dos voos mais bonitos do mundo, acompanhando os Andes de norte a sul.”

Um cão diverte-se junto ao porto da cidade argentina de Punta Arenas
Fotografia: Ricardo Matias

Eram sete horas da noite quando o avião finalmente aterrou em Punta Arenas. Como o jovem cientista pôde notar, a cidade era tipicamente industrial, com camiões e barcos de um lado para o outro, e com contentores sem fim à vista. O país já contava com largas semanas de tumultos e manifestações, encontrando-se mergulhado numa crise social e política sem precendentes.

“À hora de jantar dirigimo-nos ao La Luna, único restaurante nas redondezas que se encontrava aberto devido aos motins que ocorriam na cidade. Ouviam-se disparos, foguetes de sinalização que iluminavam o céu e por vezes pegavam fogo às árvores. Soavam as sirenes dos bombeiros que corriam para apagar fogos ateados a carros e a casas. A cidade está em revolução contra o regime político”.


O calor do restaurante foi suficientemente reconfortante para Ricardo e José Xavier se esquecerem, por um momento, do que acontecia fora daquelas quatro paredes. A fome apertava, mas finalmene chegou o barbecue chileno, prato escolhido para se deliciarem ao sabor de umas cervejas “Hernando Magallanes”. Não é de estranhar o nome escolhido para a cerveja, esta é uma cidade portuária que deve muito do seu desenvolvimento a Fernão de Magalhães. O navegador colocou esta cidade nos mapas como ponto estratégico de rotas marítimas, aquando da sua viagem à volta do mundo, pela primeira vez na história.

O dia tinha sido cansativo devido a uma viagem tão longa e a informação nova era tanta que Ricardo estava com dificuldades em absorver-la. Depois de jantar e chegados ao hotel, caiu redondo sobre a cama e adormeceu. Não sonhava ele que no dia seguinte os planos para visitar a cidade bem cedo já estavam destinados a irem por água abaixo.

13-15 de Novembro 2019

Era manhã bem cedo, Ricardo e José Xavier iam a caminho da cidade em vias de completarem os seus planos de turistas, mas receberam uma chamada. Era preciso ajuda para montar os laboratórios e todo o equipamento científico no barco.

“Começamos o transporte de caixas, caixinhas e caixotes pelos corredores, mas as portas estanque tornam todo o trabalho mais difícil. Tirar material de laboratório e todo equipamento eletrónico de suporte, certificar que tudo fica seguro nas mesas graças às skills de bricolage que uma pessoa aprende aos fins-de-semana com o pai. O “ginásio antártico” começou!”


O dia foi longo e cansativo, mas o bichinho que se sente para explorar um local novo ainda tinha forças dentro de Ricardo. Ainda houve energia para no fim do dia visitar o restaurante “La Marmita” onde, pela primeira vez, experimentou carne de guanaco, animal da família dos camelos e lamas. O sabor intenso e perfumado da carne fez lembrar ao jovem uma vez que comeu carne de veado.

Faltava pouco para o barco levantar âncora e seguir viagem para mar alto. Ricardo já tinha saído do hotel em direção ao porto. A embarcação, batizada a 1 de dezembro de 1990 por sua majestade Isabel II, Rainha do Reino Unido, tem como nome “RRS James Clark Ross”. Também conhecida carinhosamente como JRC, deve o seu nome em honra ao explorador inglês Sir James Clark Ross, imortalizado pelas suas expedições no século XIX aos dois pontos mais inóspitos e opostos do planeta, o Árctico e à Antártida. O jovem cientista sente o peso nos ombros do que é fazer uma viagem num navio com tanta imponência e história.

Navio RRS James Clark Ross atracado no porto de Punta Arenas
Fotografia: Ricardo Matias

“O JCR é um barco com mais história que eu em anos. Nesta embarcação pendura-se nas paredes pequenas imagens de momentos importantes ao longo dos anos. Para além disso, estas encontram-se cheias de lembranças das equipas que por este navio tiveram o privilégio de passar.”


O dia foi passado em últimos preparativos antes da partida. O jovem cientista aproveitava para poder conhecer os novos colegas das próximas semanas, ajudando no que fosse preciso. Montar as redes de pesca foi uma das tarefas. Estas tinham uma abertura de cinco por cinco metros, que iriam ser usadas para pescar lulas e peixe.

Rectangular Midwater Trawl, de 25m2 de abertura que serão usadas para pescar lulas e peixe
Fotografia: José Xavier

Foi então que finalmente Ricardo passou a conhecer o seu colega de cabine das próximas semanas. Rodrigo Moresino, era um oceanógrafo da Argentina, que ficou satisfeito por saber que afinal não era a única pessoa a bordo que não tinha o inglês como língua mãe. Tinha alguma dificuldade em compreender as conversas entre os britânicos, mas a companhia de Ricardo foi para si um alívio.

No último dia bem cedo na cidade portuária de Punta Arenas, decidiram ir dar uma corrida para se manterem em forma.

“Eram seis da manhã quando eu e o José saímos do JCR. A nós juntou-se a Anna, o Chris e a Julie que também ainda tinham os músculos enferrujados da viagem de avião. Está frio, mas aguentámos porque somos grandes, fortes e grossos! Não há vivalma na rua e os meus músculos estão a chamar-me nomes. Devagarinho, vou ficando para trás e num passo corrido mais lento vou observado a cidade em meu redor em tom de despedida”.


As últimas horas foram aproveitadas para relaxar antes do JCR partir. O avistamento de dois pinguins de Magalhães, a tomar banhos de sol no estreito que lhes dá o nome, foi como um bom preságio para o jovem cientista. As refeições no barco eram como deliciosos banquetes, o que levou à urgência da tripulação de criar rotinas de exercício físico. Ricardo decidiu juntar-se aos restantes colegas para mais um treino. Mal aguentava a emoção que era saber que o dia mais aguardado estava prestes a chegar, iam levantar âncora na manhã seguinte.

16-21 de Novembro 2019

Para seu descanso, os dias seguintes em mar alto foram mais tranquilos, viu o seu trabalho diminuir. Os ingleses abordo aproveitavam para fazer palaras cruzadas. Como a língua muitas vezes pode ser uma barreira, o jovem cientista tentava não perder nenhuma oportunidade para aprender mais.

Nunca me esquecerei que rasher é uma tira de bacon e que bevel é uma superfície chanfrada. Obviamente também nunca me esquecerei do que é uma superfície chanfrada”.


Eis que, depois do embate de algumas ondas mais violentas no JCR, finalmente em seu redor um grupo de baleias decidiu aproximar-se e satisfazer a sua curiosidade. O jovem cientista mal podia acreditar nos seus olhos, era uma oportunidade única.

Uma baleia prepara-se para fazer um mergulho vertical
Fotografia: Ricardo Matias

“Eram muitas! Umas 30, rodeando o barco e dando um espetáculo semelhante ao da fonte no meio do rio Mondego, só que mil vezes mais bonito! Foi certamente um dos momentos mais mágicos desta viagem até agora.”


Os primeiros icebergues começaram a aparecer e o seu tamanho, como o jovem cientista pôde constatar, faziam mais que cinco vezes o tamanho do JCR. No horizonte, uns pontinhos negros já se faziam notar, eram o conjunto das ilhas Órcades do Sul. As baleias ao sabor do balanço do barco, nunca deixaram de o acompanhar até à sua chegada.

Cada vez mais presentes, os icebergues faziam com que o oceano se transformasse tal e qual um labirinto gelado. As ilhas Inacessíveis faziam jus ao nome que lhe foi atribuido, toda uma fortaleza impenetrável de encostas escarpadas. À media que o JCR progredia na sua rota até à baía, começaram a aparecer os primeiros pinguins de Adélie, que descansavam nos mini-icebergues. O jovem cientista entra em êxtase. Esta é das poucas espécies de pinguim que se reproduz no continente Antárctico, devendo o seu nome ao explorador francês Jules Dumont d’Urville, que o batizou em honra ao nome de sua esposa.

Um pinguim de Adélie descansa sobre um icebergue à medida que o navio ruma à ilha de Signy
Fotografia: Ricardo Matias

Chegaram à ilha de Signy. A ânsia de poder pisar pela primeira vez solo antártico aumenta dentro do jovem cientista, mas, por agora, a visita é apenas reservada aos veteranos da tripulação do JCR. Estes usam um zodiac (espécie de barco inflável) para chegarem até à estação de pesquisa da ilha, certificando-se que não existiam placas de gelo. De seguida, um outro barco irá levar a mercadoria do JCR até à base científica. Este é o objectivo desta primeira paragem.

Cada vez mais a ansiedade de ir a terra aumentava. Infelizmente, durante a noite, o tempo decidiu dar cartas e um nevoeiro desceu das montanhas, toldando toda a paisagem em redor. Ricardo sentia-se cada vez mais frustado, à espera que dessem luz verde para sair do navio. Mas subitamente, deu-se outro acontecimento, começou a nevar.

“Eu já tinha visto neve, mas nunca a tinha visto cair e de facto é incrível. Os farrapos aglomeravam-se lá fora e subitamente cobriram de branco o deque.”


Foi de tal forma a surpresa, que o jovem cientista não conseguiu esconder no rosto a sua alegria, assim como o imenso frio que se fazia sentir.

Ricardo aproveita o seu primeiro nevão
Fotografia: José Xavier

“Ann, uma cientista que estuda krill (camarão da Antártida), apercebeu-se que era a primeira vez que eu via nevar e certificou-se que celebraríamos a ocasião em condições. A equipa científica reuniu-se toda rapidamente para fazer pinguins de neve e claro, a tradicional luta de bolas de neve. Estranho como os cientistas, com o seu ar culto e veterano em expedições antárcticas, subitamente deixam transparecer a sua criança interior na alegria de acertar em cheio na cabeça de um colega com uma bola de neve bem feita.”


A intensidade da neve que caía aumentava a cada minuto e as risadas tiveram que ser interrompidas. A quantidade de neve era tal, que limpar o deque tornou-se a prioridade de todos.

A neve que caiu durante a noite foi imensa e o dia continuava encoberto. Mas, finalmente para o jovem cientista, havia luz verde para ir a terra. Ao preparar-se para sair do JCR, deparou-se por momentos com o pouco de paisagem que podia ser perceptível ao olho humano.

“Deverei dizer montanhas cobertas de neve? Ou que a neve é tanta, que faz montanhas, de tão pouco os vestígios que existem de rocha? O céu ainda não clareou e o dia nublado atribui à paisagem uma aura de mistério”.


À medida que se aproximavam da base científica por meio de um pequeno barco, os roncos dos elefantes-marinhos machos eram cada vez mais audíveis de praias próximas. Chegados à base, o jovem ajudou a descarregar alguns equipamentos científicos e mantimentos. Depois de todo o trabalho, Ricardo pôde desfrutar de um chocolate quente, enquanto observava um elefante-marinho a descansar num pequeno icebergue, completamente indiferente à sua presença. Eram horas de voltar ao conforto do JCR.

22-25 de Novembro 2019

Já se encontravam em mar alto há dois dias e a ondulação que se fazia sentir era imensa. O destino era a Bird Island, na Geórgia do Sul. Os britânicos mantêm alí uma base científica em funcionamento desde 1963. Ao fim do terceiro dia, finalmente chegaram. Este era um local muito especial para José Xavier. Foi aqui, perto do fim do mundo, que passou nove meses a estudar albatrozes e pinguins. Atracaram com um pequeno barco ao largo da base e Ricardo notou que o cheiro que pairava no ar era bastante intenso. A base ficava numa praia que também era usada como colónia de acasalamento de lobos-marinhos-antárcticos.

 “Muito engraçados, oof oof pra lá, oof oof pra cá! Mas a verdade é que oof oof significa que estão prestes a atacar. Estes animais correm bastante e é fácil de identificar marcas de guerra nos machos que defendem os seus territórios”.


Dois lobos-marinhos-antárcticos guerreiam por território
Fotografia: Ricardo Matias

O jovem cientista sentiu como se estivesse presente num documentário de vida animal, mas antes de poder voltar a contemplar todo aquele comportamento natural, havia trabalho a fazer. Carregou sem parar, praia acima, praia a baixo, cerca de 40 barris de combustível para a base. Depois de um almoço tardio, Ricardo e os seus colegas decidiram subir a encosta da ilha e visitar os ninhos dos albatrozes-viageiros. Estas aves nidificam ao longo de ilhas subantárcticas e voltam sempre ao mesmo ninho. São conhecidas pelas grandes dimensões que podem atingir em envergadura de asas, podendo chegar aos três metros.

O último dia teve que ser passado no JCR, uma vez que a ondulação não estava a permitir qualquer desenbarque. O jovem cientista aproveitou para meter os seus trabalhos de computador em dia e participar nos circuitos de exercício físico. Ainda teve a oportunidade de fazer uma chamada para casa. O quentinho que sentiu em falar com a família foi reconfortante.

“Devido ao menor número de pessoas a bordo, o uso reduzido do WiFi permitiu uma videochamada rápida para casa! Às 21h o barco parte então para King Edward Point, base localizada na outra extremidade da Geórgia do Sul”.


A viagem continua na edição de 8 de junho.

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