Elsa ou a brava liberdade da solidão

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Mulher inquieta, cheia de força – aquilo a que na terra dela chamam de mulher brava. Brava, porque é valente e possante; brava, porque é genuína e tem resposta sempre pronta – digo eu.

A Elsa mora numa das aldeias de xisto de Góis, a Aigra Velha, no norte do distrito de Coimbra, onde é a única habitante. Tempos de isolamento, Elsa já os vive há muitos anos. Dos 770 metros de altitude onde vive, divide o tempo entre a horta, a lenha para aquecer nos dias mais frios, os cabritos — os trambelhos, como lhes chama, e dos quais é incapaz de lhes comer a carne —, os noticiários e as novelas. 

Não se sente sozinha e não tem medo. Mas medo de quê? — responde-me com prontidão. A liberdade que a aldeia lhe oferece supera qualquer medo ou solidão. 

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