Em busca de microplásticos na Antártida — diário de uma missão científica

Fotografia: José Xavier

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A longa viagem em direção ao Sul começou há 20 dias e o jovem cientista, Ricardo Matias, encontra-se cada vez mais próximo do seu objectivo, a busca por microplásticos nas águas mais a sul do mundo. Na primeira parte desta crónica, o jovem passou por uma cidade que vivia dias tumultuosos contra o regime político instaurado, o jovem cientista teve a oportunidade de pela primeira vez na vida ver nevar. Pôde também assistir à passagem de um grupo de 30 baleias que o acompanharam a si e ao JCR (nome do navio) até às ilhas Órcades do Sul, que o marcará para sempre. Os laços que Ricardo tem vindo a criar com a equipa em mar alto, cedo irão demonstrar-se essenciais para o sucesso do seu objetivo.

A viagem tem sido bastante calma, mas muita ondulação e ventos fortes irão assolar o espírito do jovem cientista. A visita a antigas estações baleeiras, onde milhares de baleias foram chacinadas, e as condições meteorológicas extremas que irá sentir, serão um teste à sua capacidade física e psicológica. Este irá sentir o verdadeiro peso do que é fazer ciência nos confins gelados do mundo.

26-28 de Novembro 2019

O nevoerio continuava a não dar tréguas, mas Ricardo sabia que havia terra perto devido ao cheiro húmido característico de terra molhada que se fazia sentir no ar. Estavam a entrar na baía de Cumberland, onde se localizam algumas estações baleeiras, como a de Grytviken. Aqui, há 60 anos, ninguém sabe precisar o número de quantas baleias-corcunda e baleias-franca-austrais foram mortas. Apenas sabe-se que foram milhares e milhares delas dizimadas para fins comerciais, em que tudo era aproveitado. Dos intestinos, uma substância cerosa era usada na perfumaria; a carne era usada para comer e também, juntamente com os ossos, podiam ser usados como fertilizantes agrícolas ou para se fazer utensílios com os ossos. Portugal foi um dos primeiros países do mundo a proibir a sua caça nos Açores e na Madeira, mas, atualmente, ainda existem alguns países que decidiram retomar a caça a estes grandes mamíferos, como é o caso do Japão. Absorto em pensamentos, o jovem cientista quando deu por si, avistou uma pequena baía cheia de elefantes-marinhos e alguns pinguins. Sinal que já estavam mesmo a chegar ao destino desta próxima paragem, a estação científica de King Edward Point.

Nesta base encontra-se muitas pessoas a trabalhar nela e o descarregamento do material do navio foi feito por estas de bom grado, assim como para o jovem cientista. Teve a oportunidade de ir passear pela baía, onde visitou a estação baleeira de Grytviken. A estação encontrava-se completamente em ruínas, como Ricardo pôde constatar, mas ainda era nítido o impacto que esta teve. Restos de partes de esqueletos de baleias ainda podiam ser facilmente encontrados pela praia fora. Alguns até já conquistados pela flora local.

Restos de esqueletos de baleias junto da estação baleeira de Grytviken
Fotografia: Ricardo Matias

O passeio continuou e o jovem cientista decidiu ir visitar um cemitério que havia ali perto. Aqui jazia a campa de outro explorador britânico, Sir Ernest Shackleton. Este navegador ficou conhecido pelas suas expedições à Antártida, sendo reconhecido como uma das principais figuras do período “Idade Heróica da Exploração da Antártida”. Durante 25 anos, sensivelmente de 1897 a 1922, a exploração da Antártida era o objectivo de todas as explorações geográficas e científicas internacionais. Numa das suas expedições, o seu navio, Endurance, ficou preso e foi lentamente esmagado por placas de gelo, antes da sua tripulação conseguir escapar. O salvamento foi dado sem perdas de vida humana e, muitos anos mais tarde, a Sir Ernest Shackleton foi-lhe atribuído o estatuto de herói pelo feito. Anos mais tarde, noutra expedição, quando atracado aqui onde se encontra Ricardo, faleceu de ataque cardíaco e a pedido de sua esposa, foi aqui sepultado. Nos dias que decorrem, continua a ser inspiração para muitos pela sua preseverança na luta pela vida quando tudo pode correr mal num dos locais mais inóspitos do planeta. O jovem cientista não consegue esconder a sua admiração e emoção por tal figura.

Campa do explorador britânico Sir Ernest Shackleton
Fotografia: Ricardo Matias

Depois de um dia longo e emocionante, Ricardo já se encontrava no JCR e pronto para ir dormir. Já apromado e preparado para se ir deitar, bateram à porta da sua cabine. Estavam a preparar uma festa na base e vieram convidá-lo para lá ir beber uns copos.

 
“Poucos são aqueles que podem dizer que beberam um gin na Geórgia do Sul! Muito estranha a sensação de, ligeiramente alegre, sair da base em direção ao barco e ter de me desviar dos lobos-marinhos-antárcticos que dormiam no meio do carreiro. Certamente, a receita ideal para o desastre.”


O jovem cientista dormia profundamente. Talvez devido a uma mãozinha do álcool da noite passada, mas foi acordado pelos seus colegas bem cedo. Eram excelentes notícias, o tempo estava óptimo e este iria ter a oportunidade de visitar Penguin River, uma colónia de pinguins-rei. O trajeto era longo e sinuoso, e depois de uma caminhada de duas horas pela encosta da ilha, lutando contra um terreno ensopado, chegaram à colónia. Não eram tantos quanto imaginou ver, mas ainda assim, eram uns 50 pinguins todos juntos.

Colónia de pinguins-rei em Penguin River. Na imagem é possível ver-se alguns juvenis ainda em mudança de penas
Fotografia: Ricardo Matias


“A bateria da minha máquina esgotou-se rapidamente. A paisagem era incrível e os pinguins, uma visão há muito esperada. O Xavier chegou, inclusive, a escorregar a dois metros de um lobo-marinho-antárctico, enquanto este se atirava a ele. Felizmente, consegui assustá-lo com palmas e gritos. Mas o caso estava malparado!”


Ao regressarem, talvez pelo caminho doloroso que tinham feito até à colónia, decidiram tentar encurtar caminho e ir pela praia. Cedo se aperceberam que era uma má ideia.


“Decidimos ir pela praia infestada de furries (lobos-marinhos-antárcticos). Mas essa tentativa foi rapidamente esquecida quando nos deparámos rodeados por demasiados machos, que facilmente nos podiam atacar. Certamente, uma experiência única e bastante radical, que nunca esquecerei!”


A estadia em King Edward Point estava a chegar ao fim. O jovem cientista, depois de ter ajudado a transportar mais material científico para o JCR, aproveitou o resto do dia para passear pela ilha. Ricardo, Gabi Stowasser (uma cientista alemã) e Petra Ten Hoopen (uma cientista checa) decidiram visitar um lago que havia ali perto. Depois de algum tempo a contemplarem a paisagem, regressaram ao JCR. Pelo caminho não perderam a oportunidade de visitar o museu e a loja de lembranças. Apesar dos preços caros que se praticavam na loja, o jovem cientista não resistiu em trazer um íman para o frigorífico de casa.

29 de Novembro a 1 de Dezembro 2019

Voltaram a Bird Island. Com eles, trouxeram equipamento e cientistas de King Edward Point. Após todas as tarefas realizadas, houve a oportunidade de visitar a colónia de albatrozes, Albatross Plateau, com toda a equipa científica do JCR. Esta foi uma viagem bastante emocional para José Xavier. Foi aqui que este, em fase inicial da sua carreira, passou bastante tempo a estudar estas aves gigantes.

Um família de albatrozes-viageiros descansa na sua colónia, em Albatross Plateau. Em primeiro plano encontra-se o macho de penas mais brancas que a fêmea, que está em segundo plano, e atrás desta, no ninho, está a cria
Fotografia: Ricardo Matias


“Chegamos. Albatrozes por todo o lado, de penas mais brancas que a neve e de um tamanho comparável a dois perús juntos. De asas abertas, estas aves não só conquistaram o ar, como conquistam os corações de quem presencia a sua destreza no ar e a falta dela em terra.”


Andaram mais uns cinco quilómetros para dentro e chegaram a outra colónia, Little Mac. Esta agora não era de albatrozes, mas sim de pinguins-macaroni, eram uns 300. Os cientistas aproveitaram aquele momento e deixaram-se estar sentados, parados no tempo, enquanto observavam os pinguins, indiferentes à sua presença.

Toda a equipa científica do JCR e alguns elementos da base científica de Bird Island aproveitam para observar a colónia de pinguins-macaroni
Fotografia: Ricardo Matias

Já se fazia tarde e tinham que regressar ao barco. Na volta, era preciso ter cuidado com o caminho e Ricardo pôde experienciar que este podia ser algo de traiçoeiro. Fez mal os cálculos e o que parecia uma plataforma firme e coberta de musgo, deixou o jovem cientista enterrado até à cintura, completamente encharcado de água e lama. Nada que um banho no conforto do JCR não pudesse resolver. Ainda não tinha passado um mês e Ricardo já se sentia como sua casa.

Um friozinho no estômago do jovem cientista começava aparecer. Está quase a chegar a altura em que vai poder concretizar o seu objetivo com esta expedição. Os últimos dias em Bird Island são passados a deixar todo o barco pronto, para partir em direção aos pontos em mar alto, onde Ricardo vai poder recolher as suas amostras científicas. Já tinha começado a correria de mudanças de horários de funcionamento do barco. As redes de pesca seriam lançadas a partir das oito horas da noite e seriam recolhidas somente às duas horas da manhã e, daí, o trabalho continuava em laboratório até às quatro da manhã.

2-12 de Dezembro 2019

Cada vez mais, o ritmo aumentava no JCR. O jovem cientista começava assim, a habituar-se à nova rotina. Almoçava tarde e depois seguia para mais uma aula de exercício físico com a restante equipa. O exercício ajudava a manter a boa saúde física e mental da tripulação, assim como a moral. As horas passavam a voar e o sol punha-se no horizonte, trazendo a noite. O trabalho era cada vez mais frenético, com todos de um lado para o outro, sempre com algo para fazer.


“O trabalho no deque é de loucos. Carga a ser movida de sítio, redes a irem para água, amostras a serem analisadas no laboratório. A bordo trabalha-se 24 sobre 24 horas e há algo novo para se fazer a qualquer hora!


Lançamento de uma das redes de pesca num dos pontos de amostragem
Fotografia: Ricardo Matias

Os dias continuaram sem parar, noite após noite, sempre na mesma rotina. Das redes de pesca vinham todo o tipo de animais e muitos pareciam que tinham saído de um filme de ficção científica, de cores e formas desconhecidas deste planeta. O objectivo de Ricardo e da equipa a bordo era avaliar a abundância dos seres nestas águas e perceber qual o impacto que as alterações climáticas e a atividade humana estão a ter nestes habitats únicos.


“A sensação de fazer parte de projetos internacionais é incrível e esta experiência torna-se num ponto de viragem na minha carreira científica, ainda prematura. Estou na linha da frente, a ajudar os meus colegas nos seus projetos.”


O jovem cientista faz tudo o que pode. Documenta através de fotografias o pescado, faz pesagens de amostras e inumera outras. O frio que se faz sentir é imenso e a sensibilidade nas suas mãos começava a desaparecer. As ondas faziam balançar o JCR e com ele também balançava o estado de espírito de Ricardo entre o desconforto e o entusiamo. Este não desistia, estava a realizar um sonho de criança que tinha desde os seus cinco anos quando decidiu ser biólogo marinho. Estava finalmente a fazer ciência com as suas próprias mãos.

Pequena lula apanhada numa das redes de pesca
Fotografia: Ricardo Matias

O navio fez nova deslocação e seguiu para o próximo ponto de amostragem. Esta seria a posição geográfica desejada para Ricardo dar início à recolha do seu material de estudo, onde procurava saber qual o verdadeiro impacto que os microplásticos estão a ter nestas águas. Em tratamento logístico e até à chegada ao ponto indicado, o JCR demorou uns longos dois dias debaixo de muita chuva e neve. O jovem cientista aproveitou esse tempo para ir adiantando o seu projeto de doutoramento, assim como organizar as fotos que tem vindo a realizar desta experiência.

13-20 de Dezembro 2019

O tempo piorou bastante. Ao fim de lançarem a primeira rede e de a recolher, a tempestade continuou a ficar mais intensa e não previa dar tréguas. Todos os trabalhos no deque do JCR tiveram que ser interrompidos e durante aquela noite ninguém mais trabalhou. Ricardo nunca sentiu o JCR abanar tanto, de tal forma que era difícil de adormecer. As gruas não paravam de chiar com o balançar e as ondas rebentavam com tremenda força sobre a proa do navio que o fazia dançar. Os barulhos dos mecanismos hidráulicos que disparavam para restabelecer o equilíbrio do barco eram assutadoramente altos, que o jovem cientista praticamente não foi capaz de pregar olho.

O dia seguinte não foi diferente e a frustração começava a instalar-se em Ricardo. Este começou a sentir os verdadeiros efeitos da Antártida, local incrível mas também implacável. Para tentar limpar a cabeça, decidiu ir ter com o capitão à ponte para melhor ver a tempestade.


“Comparação parva, mas as ondas estavam para mim como o fogo deveria estar para um pirómano. Um verdadeiro espetáculo natural!”


Descanso já era algo que o jovem não conhecia e era a segunda noite que não dormia em condições. A vontade de estar sozinho e de não falar com ninguém, era um sentimento que começava a consumir o espírito de Ricardo. Com o tempo a ficar mais calmo, a equipa científica do JCR decidiu voltar a tentar colocar as redes na água.


“À primeira tentativa o equipamento baloiçou perigosamente, exigindo que ocupassemos uma posição mais recuada para evitar acidentes. Havia uma grande tensão no ar. Mas à segunda tentativa, a rede estava na água!”


O jovem cientista nunca esteve tão feliz. As amostras chegavam a todo o vapor ao laboratório e o trabalho era imenso. Escrever rótulos em sacos, pesar e medir indivíduos, identificar espécies e ainda tirar pequenas amostras de músculo. Era tudo feito a um ritmo absurdo, que só ao fim de alguns dias é que este o conseguiu adquirir. A recolha das suas amostras foi um sucesso.

O jovem cientista observa um conjunto de camarões da Antártida, mais conhecidos como krill
Fotografia: José Xavier


“O ambiente no laboratório era semelhante ao de uma noite em casa de amigos. Apesar do álcool ser bastante controlado a bordo, músicas conhecidas passavam numa coluna de som e a boa disposição reinava. Todos cantavam e ajudavam até ao nascer do sol.”


21-23 de Dezembro 2019

Recolhidas as amostras, o JCR começou assim a sua viagem de regresso. Seguiu rota em direção às ilhas Falkland, também conhecidas como ilhas Malvinas. Estas atualmente têm soberania inglesa, com um governo próprio, mas nem sempre foi assim. Alguns países tentaram reivindicar estas ilhas, levando a disputas diplomatas, nomeadamente entre a Argentina e o Reino Unido. As ilhas eram exploradas pelos argentinos até ao ano de 1833, aquando se deu a ocupação britânica. Mais tarde, em 1982, a Argentina decidiu invadir as ilhas, conseguindo retomá-las para sua posse. Os britânicos não tardaram em responder e ao fim de 75 dias de guerra, o conflito bélico terminou com a vitória dos ingleses, rearfimando a sua soberania sobre as ilhas. O conflito ficou assim conhecido como a “Guerra das Malvinas”, ou em inglês como “Falklands War”.

Vista sobre a cidade de Stanley, capital das ilhas Falklands
Fotografia: Ricardo Matias

O fim do dia foi marcado por umas longas seis horas de jogos, música e boa disposição. Foi a despedida de três colegas que iam viajar diretamente de avião para o Reino Unido, a tempo de passar o Natal com a família.


“Sem dúvida, os laços criados em pouco menos de dois mesos tornaram-se mais fortes após uma experiência destas!”


Todos aproveitaram o dia seguinte para visitar a ilha. Ricardo reparou que não existiam muitas pessoas a viver na nela, pensando o quão difícil seria aguentar viver ali tanto tempo. A história das ilhas foi algo que inevitavelmente iria ser abordado durante a visita. O jovem cientista e a restante equipa tiveram a atenção e o cuidado necessário para fazerem sentir o Rodrigo (colega de cabine argentino de Ricardo no JCR) bem-vindo. Para aliviar o ambiente, dicidiram ir visitar algumas colónias de pinguins e de focas nas redondezas.


“O forte desta ilha é certamente a vida selvagem, onde podemos encontrar bastantes colónias de várias espécies de pinguins e focas. Uma hipótese mais barata e mais verde para ver estes animais, ao invés de ir até ao continente Antártico.”


24-28 de Dezembro 2019

Era véspera de Natal e o JCR deixou as Falkland por volta do meio-dia. A viagem já era de regresso à cidade de Punta Arenas. Ricardo e José Xavier estavam entusiasmados para o jantar de logo à noite, mas repararam que os ingleses não prestavam grande atenção à data. Não importados, estes vestiram-se a rigor como mandava a antiga conduta do JCR quando era mais militar/náutica. A festa teve tudo a que tinha direito.


“A festa foi do caralho! Bebemos bué mulled wine (vinho quente), apanhamos ganda buba e dançámos até tarde!”


Festa de Natal com toda a tripulação do JCR
Fotografia: Ricardo Matias

A festa continuou no dia a seguir, no dia de Natal. O jovem cientista nem queria acreditar na comida que conseguiu comer. E nada como, para ajudar a digestão de tal enfartamento, ver uns clássicos natalícios, e no fim, a troca de prendas.


“Comemos que nem uns alarves! Lagosta, stuffed pudding, bread sauce, couve flor com queijo, bolos, bolos e mais bolos. A Vicky e o Ramon estavam certamente de parabéns pelo seu desempenho. A seguir assistimos ao tradicional “Sozinho em Casa 1 e 2” para assinalar a data.”


O jovem cientista já se encontrava novamente em terra firme e a sua viagem de mês e meio estava prestes a chegar ao fim. As saudades de casa apertavam cada vez mais e o regresso já era há muito ambicionado. Mas antes, ainda havia trabalho por terminar. Os últimos dias foram passados a desmontar o laboratório e todo o material científico que se encontrava a bordo do JCR. Olhando para o rosto dos cientistas mais velhos, Ricardo percebia que havia um ar pesado. O navio James Clark Ross estava no British Antarctic Survey há cerca de 30 anos e grande parte da carreira destes cientistas foi feita a bordo deste. Mais ainda quando esta foi a última expedição científica que o JCR levou a cabo. Tantos sonhos de investigadores que ajudou a realizar, tantas histórias que tem para contar dos últimos 30 anos. A de Ricardo foi só mais uma.

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