Em projetos coletivos não há cargos vitalícios

— Vitalino José Santos assume direção de sinalAberto

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A partir de 1 de outubro o sinalAberto passa a ser dirigido por Vitalino José Santos, jornalista com mais três décadas de experiência e que desde o primeiro número integra o núcleo principal da Redação. É assim que entendemos aqui a dimensão e prática coletiva de um projeto que é de todos os que o fazem e pensam diariamente. Durante os próximos 12 meses o Jornal terá um novo diretor e assim sucessivamente, de forma rotativa, porque somos avessos a cargos vitalícios ou muito prolongados.

Pela minha parte, digo-vos que foi uma felicidade enorme ter tido a oportunidade de participar na criação deste Jornal e de o ter coordenado até agora. Levo comigo, deste período, uma grande aprendizagem e lições de enorme solidariedade e empenhamento de muita gente que viu e vê neste projeto algo em que vale a pena continuar a sonhar. O qualificado grupo de colaboradores do Jornal, aos quais nunca é excessivo agradecer o contributo e entrega que têm sido capazes de dar, sobressai inevitavelmente sempre que olho para o percurso percorrido e para a exigência que nunca esteve ausente do muito trabalho realizado.

Desde 1 de maio de 2020, data de início da publicação regular do sinalAberto, este foi a casa de muitos jornalistas e cidadãos de vários países: Portugal, Brasil, Guiné-Bissau, Angola, Moçambique, S. Tomé e Príncipe, Macau. A língua portuguesa é a grande ponte que une diversas geografias da lusofonia, para através dela se evidenciarem também as singularidades, diferenças e especificidades de cada realidade e cultura.

Nesta casa comum que é o espaço deste Jornal discutimos — e assim continuará a ser — temas a que o mainstream pouco liga ou não dá importância. O nosso critério é o interesse público e é por ele que nos batemos sem concessões. Daí os dossiês temáticos que fazemos regularmente, o protocolo de colaboração com o Gabinete Português de Leitura da Bahia, para a transmissão de sessões mensais sobre literatura, entre outras iniciativas. Pelo meio divulgamos obras originais de literatura e de pintura, fomos saber dos problemas dos precários, discutimos as questões de Género e de discriminação, quisemos mostrar retratos sobre a reinserção, etc, etc, etc. Entretanto, iniciamos já a publicação do dossiê mais completo alguma vez feito sobre a área da Justiça, em Portugal, trabalho da autoria de Vitalino José Santos, no âmbito de uma Bolsa Gulbenkian para a investigação jornalística.

Também sabemos que todo o projeto coletivo é sempre mais difícil, apesar da utopia que nos move em querer fazer de uma prática em grupo não apenas o dia-a-dia de um Jornal, mas, sobretudo, por desejar fazer diferente, olhar e ver o mundo com olhos diferenciados e, nessa alternativa, imaginar que outros podem ter sonhos e vontades semelhantes.

Entendemos que a diferença — e a mudança, se a desejamos — se faz através da sua afirmação concreta por intermédio de meios e iniciativas como este Jornal e os princípios éticos a que ele está livremente sujeito, e nunca pela guerrilha de sofá em que muitos transformaram a sua relação com as redes sociais ou pela ausência de sentido de grupo e de solidariedade de objetivos, em favor de interesse pessoais, conjunturais ou meramente táticos.

Este trajeto só faz sentido, portanto, se for uma caminhada coletiva, uma luta por um mundo e uma sociedade mais justa e onde o respeito pela dignidade humana seja, verdadeiramente, um valor inegociável. Foi com esse espírito que chegamos até aqui, será com ele e o seu reforço, certamente, que o sinalAberto prosseguirá o seu caminho com esta oportuna e desejável mudança de testemunho.

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