O erro informático

Andre Hunter (Unsplash)

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A informática, as redes e os computadores estão tão presentes em todos os aspetos das nossas vidas que quase não nos apercebemos disso. A nossa realidade confirma a visão de Mark Weiser, o cientista de computação que, na já longínqua década de 1980, idealizou e definiu o conceito de computação ubíqua, segundo o qual as tecnologias estariam tão presentes nas nossas vidas que seriam quase invisíveis. De facto, é difícil – se não impossível – identificarmos um setor de atividade que não utilize ou dependa de computadores. Mais, é já muito difícil sabermos o que é um computador, tantas são as formas que tomam, as tarefas que desempenham e os objetivos a que se destinam. Por exemplo, os nossos automóveis podem ter vários destes dispositivos e os telemóveis que utilizamos têm muito mais poder computacional do que os supercomputadores de há pouco mais de três décadas.

Este ‘casamento’ entre informática e vida real também existe, à semelhança de outros casamentos, para o bem e para o mal. Quando tudo corre bem, a informática é maravilhosa e não podemos viver sem ela, estamos com ela vinte e quatro horas por dia, levamo-la para todo o lado, somos felizes! Por outro lado, deixamos de saber o que fazer e tudo perde sentido quando o acesso à Internet deixa de ser possível por alguma circunstância incompreensível do destino, quando um dos nossos muitos sistemas computacionais se avaria, quando algo que deveria funcionar sem problemas apresenta um comportamento inesperado ou erróneo.

Também como nos casamentos, quando algo não funciona somos muito rápidos a apontar o dedo ao outro. “A culpa foi do computador”,  ou “Foi um erro informático” são duas das mais frequentes afirmações que ouvimos quando algo corre mal. A desculpa do erro informático está cada vez mais presente e serve para quase todo o tipo de situações: os pagamentos que não são processados, o serviço que não pode ser prestado, a encomenda que não chega, o agendamento que não pode ser feito, a devolução de IRS que não acontece, a impossibilidade de participar numa reunião remota, as longas filas de espera nos centros de vacinação contra a CoViD-19. O que seria de nós se não existisse esse ‘porto seguro’ do erro informático, que nos desculpa e salva de tantas responsabilidades!

Mas, afinal, o que é isso de “erro informático”? Algo que ocorre porque o sistema está mal concebido ou foi mal configurado? Algo que surge como consequência de uma má utilização? Uma resposta indesejada na sequência de ação inadequada ou negligente por parte de alguém? A verdade é que aquilo a que comummente se chama erro informático não passa, na esmagadora maioria dos casos, se não na sua totalidade, de um erro com origem muito humana. É que, por muito sofisticados que sejam, os computadores não pensam e, portanto, não erram. Limitam-se a executar aquilo para que foram programados, para o bem e para o mal. O erro informático é, afinal, um erro humano disfarçado, tão embutido na nossa forma de ser e estar, tão comum nas nossas vidas crescentemente artificiais, que confirma a visão de computação ubíqua de Mark Weiser.

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