O sonho comanda a vida

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Muito do sucesso ou insucesso pessoal passa por uma correta gestão de um dos recursos mais críticos de que dispomos nas nossas vidas: o tempo. Tomar decisões sobre o que fazer ou não, quando fazer, como organizar o trabalho, quando trabalhar e quando descansar, como identificar, delegar e gerir tarefas, ou como interagir com outros, é determinante para atingir bons resultados, para o bem-estar e, em última análise, para a felicidade.

Pode dizer-se que a necessidade da gestão de tempo se fez sentir assim que as pessoas se aperceberam de que o tempo é um bem limitado e que, através da utilização do tempo, se poderiam produzir bens ou serviços com um determinado valor. Ou seja, podemos afirmar que a gestão de tempo se iniciou com as primeiras formas de comércio, que remontam à pré-História. Foi, no entanto, com a primeira e segunda revoluções industriais, no século XIX, que a máxima “tempo é dinheiro” se generalizou e que a gestão de tempo ganhou um papel crucial na nossa sociedade.

As ferramentas e tecnologias para gestão de tempo e organização do trabalho de que dispomos nunca foram tão poderosas. Curiosamente, apesar disso, muitos são os que não conseguem lidar com as tarefas que lhe são atribuídas e estão constantemente atrasados. A questão é que as ferramentas e tecnologias, por si só, não podem resolver um problema que é, em grande medida, motivacional. Podemos e devemos explorar as ferramentas existentes, tirar partido das tecnologias, mas se não o fizermos corretamente estas só servirão para acentuar aquilo que é evidente: a incapacidade para nos percebermos a nós próprios.

Concomitantemente, o maior erro de muitas estratégias de gestão de tempo é o de conduzirem a formas de trabalho nas quais é o tempo que gere as pessoas e não o contrário. Quer as estratégias quer as ferramentas que as implementam ditam o que fazer e quando fazer, sem que as pessoas sejam chamadas a decidir. No fundo, tudo se passa como se as pessoas fossem um fantoche comandado pelo tempo. Mais ainda, hoje, as pessoas exploram-se a si próprias até ao limite do seu tempo e, quando atingem esse limite, apregoam – quantas vezes sem convicção – que se sentem realizadas.

Uma adequada gestão de tempo tem que ir para além da mera gestão da variável ‘tempo’. As pessoas têm que poder decidir o que fazer e quando fazer, pois o seu desempenho é, sobretudo, condicionado não pelo que há a fazer mas sim por todo um conjunto de fatores emocionais que determinam, de forma marcadamente subjetiva, a sua apetência para executarem determinada tarefa em determinada altura. São esses fatores emocionais e o seu impacto nas formas de organização de trabalho que ficam de fora da generalidade das ferramentas e estratégias de gestão de tempo, mas que determinam o sucesso e a verdadeira realização pessoal. Tal como nos ensinou António Gedeão na sua “Pedra filosofal”, é o sonho, não o tempo, que comanda a vida.

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