(Re)Tratos de Ser

Créditos: concepthaus.mx

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Entre versos e fotografias fomos em busca de autorretratos em tempos de confinamento, com a câmara frontal a pintar o gesto do “eu”.  

“O guerreiro sabe que nenhum homem é uma ilha, isolada no meio do oceano. Sabe que não pode lutar sozinho; seja qual for o seu plano, sempre depende de outras pessoas. Precisa discutir sua estratégia, pedir ajuda, e – nos momentos de descanso – ter alguém para contar histórias de combate ao redor da fogueira. Mas ele não deixa que as pessoas confundam sua camaradagem com insegurança. Ele é transparente em suas ações, e secreto nos seus planos. Um guerreiro da luz dança com seus companheiros, mas não transfere para ninguém a responsabilidade de seus passos.

O guerreiro sabe que nenhum homem é uma ilha, isolada no meio do oceano. Sabe que não pode lutar sozinho; seja qual for o seu plano, sempre depende de outras pessoas.

(…)Um guerreiro da luz dança com seus companheiros, mas não transfere para ninguém a responsabilidade de seus passos”.

Paulo Coelho

“Mas se esse rosto fingido
Quiséreis representar,
Houvera por bom partido
Dar-lho a alma do sentido
Para a glória do lugar.
Víreis, posto nessa alteza,
Que vos não há cousa igual,
E que nem a maior mal
Podeis vir, nem mor baixeza,
Que serdes meu natural”.

Luís Vaz de Camões

“Provinciano que nunca soube
Escolher bem uma gravata;
Pernambucano a quem repugna
A faca do pernambucano;
Poeta ruim que na arte da prosa
Envelheceu na infância da arte,
E até mesmo escrevendo crônicas
Ficou cronista de província;
Arquiteto falhado, músico
Falhado (engoliu um dia
Um piano, mas o teclado
Ficou de fora); sem família,
Religião ou filosofia;
Mal tendo a inquietação de espírito
Que vem do sobrenatural,
E em matéria de profissão
Um tísico profissional”.
 
Manuel Bandeira

“Espáduas brancas palpitantes:
asas no exílio dum corpo.
Os braços calhas cintilantes
para o comboio da alma.
E os olhos emigrantes
no navio da pálpebra
encalhado em renúncia ou cobardia”.

Natália Correia

“Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o Outro.”
 
Mário de Sá-Carneiro

!Eu sou outra em mim mesma
e sou aquela
(…)
Sou o gozo
no gosto de ser espelho
e me faz multiplicar em todo o lado”.
 
Maria Teresa Horta

À medida que o coronavírus se instalava no nosso quotidiano, os rostos passaram a ser pintados por “novos acessórios”. Máscaras e viseiras são hoje os novos adereços de trabalho, de passeio, em comunidade, em nome da proteção de todos – as selfies higienizadas.

“É por detrás do espelho que me vejo,
Numa espécie de quadro em negativo.
Sinais fundos e certos de que vivo,
Mas sem a nitidez que todos me atribuem
Desde o começo.
Baça inquietação, ambígua semelhança
Com aquele velho, jovem ou criança
Que pareço”.

Miguel Torga

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